Dia Mundial da Doença de Alzheimer
Um diagnóstico de demência não deve significar o fim da participação da pessoa na própria vida.
Sociedade Brasileira de Psicologia
Redação

Ao contrário: quanto mais cedo se conhece e se compreende a condição, mais possibilidades existem de cuidar, planejar, preservar a autonomia e independência, e tomar decisões. A campanha mundial de 2026 da Alzheimer’s Disease International nos lembra: The Earlier You Know, The More You Can Do (Quanto mais cedo você sabe, mais pode fazer).
A pessoa que vive com Alzheimer ou outra demência precisa ser informada, escutada e incluída. Mesmo diante de comprometimentos cognitivos progressivos, ela continua sendo pessoa de direitos, com história, desejos, relações e possibilidades. A educação sobre a demência deve alcançá-la também, favorecendo a compreensão sobre o que está acontecendo, o enfrentamento das angústias após o diagnóstico e a participação nas decisões sobre sua vida e seu cuidado. Precisamos superar a ideia de que a pessoa com demência é apenas receptora passiva de cuidados. A Lei nº 14.878/2024, que institui a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências, reforça a importância de uma implementação participativa e de uma articulação entre saúde, assistência social, direitos humanos, educação, inovação e outras áreas.
Cuidar, portanto, é muito mais do que atender às necessidades clínicas. É também oferecer informação, escuta, apoio e oportunidades de participação; valorizar os cuidadores e fortalecer redes de cuidado humanizado. É reconhecer que a pesquisa, a assistência à saúde fornecida por uma equipe interdisciplinar e as políticas públicas devem estar a serviço de uma vida com mais dignidade, autonomia e qualidade. Neste 21 de setembro, falar sobre Alzheimer é falar de pessoas, direitos, cuidado, ciência e possibilidades. Porque diagnosticar não é deixar de enxergar a pessoa. É ampliar aquilo que ainda podemos fazer.
Para quem recebeu um diagnóstico de Alzheimer:
Busque informação confiável sobre a doença e pergunte aos profissionais o que está acontecendo e o que pode ser feito.
Fale sobre suas dúvidas, medos e desejos. Você não precisa deixar de participar das decisões sobre sua vida por ter recebido um diagnóstico.
Organize, enquanto possível, suas preferências e planos para o futuro, incluindo questões de saúde, rotina, cuidados e pessoas de confiança.
Mantenha atividades significativas. Continue fazendo aquilo que gosta e que consegue realizar com segurança, adaptando quando necessário.
Aceite e peça ajuda quando precisar. Precisar de apoio em algumas tarefas não significa perder todas as suas capacidades.
Cuide também daquilo que faz você ser você: relações, música, trabalho, hobbies, espiritualidade, passeios, histórias e atividades que tenham significado.
Texto elaborado pela Profª Draª. Katie Almondes, Presidente da SBP, Professora Titular do Departamento de Psicologia da UFRN, Coordenadora do Serviço de Neuropsicologia do Envelhecimento no Hospital Universitário Onofre Lopes-UFRN, Membro da Equipe Neuro-HUOL trabalhando com Pacientes, Familiares e Cuidadores de pacientes com a Doença de Alzheimer, Membro da Rede de Proteção e Valorização a Pessoa Idosa do RN.
