Saúde Mental
11 de abril de 2026

Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson

4 min de leitura

11 de abril é o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson.

SO

Sociedade Brasileira de Psicologia

Redação

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Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson

Foi nessa data, em 1755, que nasceu o médico inglês James Parkinson, o primeiro a pesquisar a enfermidade, chamada na época de “paralisia agitante”.

No Brasil, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou, em 2019, um projeto do senador Paulo Paim que determinou abril como o Mês de Conscientização sobre a Doença de Parkinson.

A cor vermelha faz referência à tulipa vermelha, símbolo mundial da DP pois, na década de 80, um horticultor holandês que vivia com Parkinson desenvolveu uma nova variedade de tulipa, vermelha e branca, e batizou-a de "tulipa Dr. James Parkinson". A cor vibrante da Tulipa representa a energia necessária para combater o estigma e apoiar pacienets e familiares.

Apesar de ainda não haver cura para a doença de Parkinson, os sintomas podem ser aliviados com medicamentos e reabilitação neuropsicológica e fisioterápica. Quanto mais cedo o diagnóstico ocorrer, maior a eficácia dos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos para estabilizar a progressão da doença.

Os principais sintomas da Doença de Parkinson, progressivos, englobam os seguintes sintomas motores: lentificação dos movimentos (Bradicinesia), tremor de repouso (começando com um dos lados do corpo, afetando mãos, pés, dedos), rigidez muscular (músculos e articulações ficam rígidas), instabilidade corporal (dificuldade em manter o equilíbrio, com postura curvada para frente e possibilidade de quedas). Ademais, existem os sintomas não motores que, frequentemente, são deconhecidos pela população e fazem parte da caracterização da doença: depressão, ansiedade, apatia, alucinações, declínio cognitivo de funções cognitivas como funções executivas, atenção, visuoespacialidade, e transtornos do sono como transtorno comportamental do sono REM (alteração do sono na fase REM, em que há manifestações comportamentais durante essa fase do sono em que o paciente deveria ter perda do tônus muscular. Ele pode gritar, chutar).

O Parkinson é frequentemente associado a pessoas com idades superiores a 50 anos. No entanto, cerca de 10 a 20% de todos os casos de Parkinson são diagnosticados entre os 21 e os 45 anos, podendo ser uma doença de início precoce. Existem muito poucos casos de pessoas que tenham manifestado sintomas da doença antes dos 21 anos, no chamado Parkinson juvenil. Este foi descrito pela primeira vez por um neurologista francês, o Dr. Henri Huchard, que observou sintomas típicos do mal de Parkinson num rapaz com treze anos. Em 2016, uma criança de 2 anos em New Brunswich (no Canadá) foi diagnosticado com Parkinson, talvez o caso reconhecido mais cedo numa criança.

Deixo uma pequena contribuição em alusão à campanha no dia de hoje com PRINCÍPIOS ATIVADORES para quem descobriu a DP recente ou convive com a mesma:

  • Não existe uma descrição única da Doença de Parkinson: Seus sintomas - motores e não motores - e progressão não são como os de qualquer outra pessoa. Monitore seu próprio Parkinson, eduque-se sobre a doença e TORNE-SE O MAIOR ESPECIALISTA EM VOCÊ.

  • O isolamento pode piorar os sintomas: Você não precisa controlar esta doença sozinho. Uma abordagem baseada em equipe pode ajudá-lo a permanecer física e emocionalmente forte. Mantenha-se em diálogo com seus entes queridos e considere ingressar em um grupo de apoio.

  • Engaje-se: Há muitas maneiras de contribuir para melhores resultados para você e para os outros. Participar em estudos de investigação, angariar fundos, iniciar um blog ou grupo de apoio, ou qualquer outra opção pode lhe dar uma sensação de controle.

  • A DP é uma doença NÃO LINEAR: Você pode ter bons dias, semanas e meses, mesmo em tempos difíceis. Praticar exercícios, comer bem e permanecer envolvido com seu círculo social, comunidade e atividades que você gosta pode ter uma grande influência no caminho do seu Parkinson.

Katie Almondes

Professora Titular do Departamento de Psicologia da UFRN

Coordenadora do Serviço de Neuropsicologia do Envelhecimento no Hospital Universitário Onofre Lopes-UFRN

Membro da Equipe Neuro-HUOL trabalhando com Pacientes, Familiares e Cuidadores da Doença de Parkinson

Presidente da SBP