SBP Sociedade Brasileira de Psicologia

Rede Brasil do Pacto Global quer melhorar saúde mental de 10 mi de pessoas

Com empresas, Rede Brasil do Pacto Global reforça Movimento Mente em Foco e busca ações concretas para fim do estigma da saúde mental e melhoria da população. Iniciativa faz parte da Ambição 2030

Fonte: Exame

Por Marina Filippe
Publicado em 30/04/2022 

O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, e é também dos que contabiliza os maiores índices de depressão. Com a intenção de mudar esse cenário ao promover conversas e, consequentemente, mudanças na saúde mental dos brasileiros, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU, braço das Nações Unidas que reúne o setor corporativo, reforça o Movimento Mente em Foco.

A iniciativa, lançada há um ano pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU e InPress Porter Novelli, em parceria com a Sociedade Brasileira de Psicologia, agora faz parte da Ambição 2030, que busca acelerar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com isso, as empresas e organizações brasileiras são convidadas a agir em benefício de seus funcionários e da sociedade como um todo no combate ao estigma e ao preconceito social ao redor da saúde mental.

O objetivo é que a saúde mental seja tratada não apenas como uma medida emergencial, mas sim como um tema perene e que faça parte da estratégia de negócio das companhias. "As companhias têm um papel fundamental na saúde e bem-estar dos seus trabalhadores, em todos os níveis hierárquicos. E não adianta agir somente na patologia, quando a doença já está manifestada. Sabemos que o absenteísmo é muito grave e quanto está relacionado ao tema de saúde mental. Por isso, temos de ser estratégicos, colocando o tema saúde mental como pauta central nos negócios”, afirma Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

Entre as empresas que já estão aderindo ao movimento está a operadora de saúde SulAmérica, que também atuará como embaixadora por meio do Instituto SulAmérica, lançado em abril. "Somos parceiros da Rede Brasil do Pacto Global há dez anos e participamos de diferentes movimentos, agora vimos a oportunidade de tratar de um tema extremamente importante e estratégico para nós, com o objetivo de tirar os estigmas que impedem o avanço dos cuidados em saúde mental no país", diz Luiz Pires, diretor executivo do Instituto SulAmérica.

Na iniciativa, a SulAmérica pretende orientar seus funcionários e também auxiliar empresas que desejam trabalhar com o tema. "Temos uma visão completa da saúde que entende a parte emocional como uma jornada que precisa ser estruturada e não vista apenas de forma pontual", afirma Pires.

O Instituto SulAmérica tem compromisso firmado oficialmente, por meio da última emissão de debêntures do Grupo SulAmérica, de impactar 150 mil vidas em cinco anos. Já a Rede Brasil do Pacto Global quer impactar 10 milhões de trabalhadores a partir do lançamento da Ambição 2030, com 1.000 empresas com programas estruturantes de saúde mental.

"Antes mesmo da pandemia da Covid-19, a saúde mental no ambiente corporativo já era uma pauta amplamente discutida nas grandes empresas, pois era um problema que já vinha se aprofundando e preocupando as lideranças. A saúde mental sempre foi muito estigmatizada dentro do ambiente corporativo e só vemos aumentar exponencialmente os casos relacionados à saúde mental. Precisamos mudar esse cenário", diz Pereira.

Para a divulgação, o Movimento Mente em Foco será apresentado em telões dos estádios no Campeonato Brasileiro masculino e feminino. As empresas que se tornarem signatárias do movimento, firmam o compromisso de implementar as seguintes ações para a promoção da saúde mental:

● Ter um profissional de referência para aconselhamento e atendimento;
● Oferecer orientação e manejo de crises;
● Garantir a avaliação permanente dos colaboradores;
● Manter gestores engajados, com treinamento para atuar em relação ao tema e orientação sobre as melhores condutas, sendo agentes de transformação e de promoção da segurança psicológica;
● Criar um programa antiestigma: promover debates abertos e intervenções em grupo com assuntos que busquem reduzir o estigma relacionado ao sofrimento psíquico, inserindo-o como pauta permanente na organização;
● Promover ações de incentivo à saúde mental: campanhas e iniciativas para incentivar práticas culturais, esportivas, de nutrição, bem-estar, educação, entre outras, a partir de demandas identificadas.

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